Laços de Família
Laços de Família
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Ela apaziguara tão bem a vida, cuidara tanto para que esta não explodisse.
Ponto-chave da literatura moderna, publicado pela primeira vez em 1960, Laços de família abre um generoso chapéu – que esconde mais do que revela -, abrigando o universo doméstico e íntimo que alimenta a inquietação de toda a obra de Clarice Lispector.
Uma nonagenária que se revolta no seu aniversário, a esposa que se invisibiliza perante o marido, filhos que vivem ao deus-dará, parentes que se odeiam, festas que parecem funerais - estas são algumas das personagens e situações de Laços de família, um livro que é feito de treze histórias desfiadas ao ritmo do imaginário peculiar e do artifício de escrita de Clarice Lispector.
Num chiaroscuro ora cintilante e meigo, ora soturno e impiedoso, Lispector nunca abandona o lirismo. A ironia sem freio, a lupa cruel sobre o quotidiano insólito e a descrição plácida do desmoronamento dos indivíduos são lançados sobre todas as personagens dos contos, que surgem perante o leitor habitando os seus sonhos desfeitos, uma solidão imensa, desejos inconfessáveis e mínimas alegrias.
As ligações familiares são quase sempre perigosas. Gera-se nas casas uma teia que, fazendo as vezes de rede de segurança – daquelas que não deixam morrer estatelado o equilibrista -, também enleia os corpos uns nos outros. A rede familiar, ao mesmo tempo que sustenta, estrangula. Em Laços de família, Clarice Lispector alinha várias peças para a construção dessa rede: os seus treze contos formam uma estrutura tão ímpar, que acaba a assemelhar-se a uma casa, ou a um corpo. Tal e qual como numa ordem familiar, todos estão ligados entre si, embora valham sozinhos.
— Matilde Campilho, nota de apresentação
Crítica:
Lispector sabe o que diz com uma precisão assombrosa; a última coisa que deseja é domar a sua estranheza. Talvez compreendamos melhor hoje alguém que tão prontamente mostrava o ‘dom de não compreender’. Nas suas frases e histórias, reconhecemos o que estamos a viver, sobretudo agora.
— El País
As suas imagens deslumbram até quando o seu significado é mais obscuro, e quando escreve sobre aquilo que a incomoda é a encarnação da lucidez.
— The Times Literary Supplement
Glamorosa, erudita, temperamental, Lispector é uma artista icónica do século XX, que pertence ao mesmo panteão de Franz Kafka e James Joyce.
— Edmund White
N.º de páginas: 152
Encardenação: Capa mole
Editora: Companhia das Letras
Data de lançamento: março de 2026
ISBN: 9789895891344
Temáticas: Literatura Lusófona
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